O Brasil receberá, pela primeira vez, a histórica Cappella Musicale Pontificia “Sistina”, considerada a instituição coral mais antiga do mundo e conhecida internacionalmente como o “Coro do Papa”. Com mais de 600 anos de história em sua configuração atual e origens que remontam aos séculos VI e VII, o grupo desembarca no país em julho de 2026 para uma turnê inédita pela América Latina.
Ao todo, serão apresentações em São Paulo, Brasília, Campinas, Curitiba e Rio de Janeiro. Todos os concertos terão entrada gratuita, sendo alguns com acesso livre e outros mediante retirada antecipada de ingressos.
Responsável pela música nas principais celebrações do Vaticano, a Cappella Sistina participa de momentos históricos da Igreja Católica, como missas solenes na Basílica de São Pedro, celebrações na Capela Sistina e cerimônias papais, incluindo, mais recentemente, os funerais do Papa Francisco.

Uma referência mundial da música sacra
A história do coro atravessa mais de quinze séculos. Embora suas origens estejam ligadas aos primeiros séculos da Igreja, foi em 1471, durante o pontificado do Papa Sisto IV, que a instituição foi reorganizada e passou a levar o nome pelo qual é conhecida até hoje.
Ao longo dos séculos, a Cappella Sistina tornou-se referência na música coral e ajudou a moldar o desenvolvimento da polifonia renascentista, servindo de inspiração para compositores e grupos vocais em todo o mundo.
Grandes nomes da história da música fizeram parte do coro ou escreveram obras especialmente para ele, entre eles Giovanni Pierluigi da Palestrina, Josquin des Prez, Guillaume Dufay, Cristóbal de Morales, Gregorio Allegri e Luca Marenzio.
O famoso ‘Miserere’ e a ligação com Mozart
Entre as obras mais emblemáticas do repertório está o “Miserere”, de Gregorio Allegri, composto por volta de 1638 exclusivamente para ser executado pela Cappella Sistina durante a Semana Santa.
Durante muitos anos, a obra permaneceu praticamente exclusiva do Vaticano, sendo transmitida oralmente entre os integrantes do coro. A história ganhou um capítulo marcante em 1770, quando um jovem Wolfgang Amadeus Mozart, então com apenas 14 anos, ouviu a composição e conseguiu transcrevê-la de memória, contribuindo para que a peça se tornasse conhecida mundialmente.
Nas apresentações brasileiras, o público poderá ouvir a versão preservada pela própria Cappella Sistina, considerada a mais próxima do manuscrito original do século XVII.
Repertório passeia por 15 séculos de música
Sob a regência do brasileiro Monsenhor Marcos Pavan, atual diretor musical do grupo, os concertos apresentarão um repertório que percorre cerca de quinze séculos de história da música.
O programa reúne canto gregoriano, obras-primas do Renascimento e composições dos séculos XIX e XX, além de incluir uma obra de um compositor brasileiro.
O coro que desembarca no país será formado por 24 cantores adultos e cerca de 30 Pueri Cantores, os tradicionais meninos cantores responsáveis pelas chamadas “vozes brancas”, uma das principais características sonoras da instituição.
“O programa preparado para as apresentações brasileiras abrange quinze séculos de repertório coral, do canto gregoriano à música do século XX, incluindo uma obra de um compositor brasileiro”, destaca Monsenhor Marcos Pavan.

Brasileiro faz história no Vaticano
Outro destaque da turnê é a presença de Marcos Pavan à frente da Cappella Sistina.
Natural de São Paulo, ele iniciou a carreira no Brasil antes de se mudar para a Itália, em 1991. Em 2020, foi nomeado pelo Papa Francisco como Maestro Diretor da Cappella Sistina, tornando-se o primeiro maestro não italiano a assumir o cargo desde sua criação, há cerca de 600 anos.
Confira a programação
Campinas
📅 3 de julho
📍 Catedral Metropolitana
🕕 18h
São Paulo
📅 5 de julho
📍 Catedral da Sé
🕐 13h
Entrada gratuita, sem necessidade de ingressos (sujeito à lotação).
Curitiba
📅 6 de julho
📍 Capela Santa Maria
🕢 19h30
Brasília
📅 9 de julho
📍 Catedral Metropolitana
🕖 19h
Ingressos gratuitos pelo Sympla.
Rio de Janeiro
📅 10 de julho
📍 Igreja Nossa Senhora da Paz, Ipanema
🕢 19h30
São Paulo
📅 14 de julho
📍 Sala São Paulo
🕣 20h30
Ingressos gratuitos com retirada antecipada.
Todas as apresentações contarão com acessibilidade, incluindo tradução em Libras, audiodescrição, acessibilidade física e abafadores de ruído para pessoas com necessidades específicas.
A turnê é realizada por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da iniciativa privada e apoio de instituições culturais e religiosas brasileiras.













