CASACOR São Paulo 2026 transforma Parque da Água Branca em experiência sensorial inspirada em ‘Mente e Coração’

Mostra ocupa mais de 10 mil m² e reforça conexão entre arquitetura, natureza, arte e bem-estar

A 39ª edição da CASACOR São Paulo abriu suas portas nesta segunda-feira (2), no Parque da Água Branca, na capital paulista, propondo ao público uma experiência que vai além da arquitetura e do design. Com o tema “Mente e Coração”, a mostra deste ano convida os visitantes a desacelerar, refletir sobre os modos de viver contemporâneos e fortalecer a conexão entre seres humanos, natureza e espaços de convivência.

Realizada pela segunda vez no tradicional parque paulistano, a exposição ocupa uma área construída superior a 10 mil metros quadrados e reúne 70 ambientes distribuídos entre casas, lofts, jardins, instalações artísticas, áreas de convivência, estúdios e tiny houses. Um dos diferenciais da edição é a forte integração com o espaço público: cerca de 40% do circuito é aberto, permitindo que a experiência da mostra dialogue diretamente com a rotina do parque e seus frequentadores.

Mais do que apresentar tendências de arquitetura, paisagismo e design de interiores, a CASACOR reforça sua vocação como plataforma cultural e agente de transformação urbana. Ao longo de quase quatro décadas, a mostra se destacou pela ocupação temporária de edifícios históricos e espaços de relevância arquitetônica, contribuindo para a valorização do patrimônio e para a criação de novos vínculos entre a população e a cidade.

Um convite para desacelerar

A proposta da edição 2026 surge em um momento marcado pela crescente presença da inteligência artificial, pela hiperconectividade e pelo excesso de informações. Em resposta a esse cenário, a mostra aposta na valorização de outras formas de inteligência, ligadas à ancestralidade, aos afetos, à natureza e à experiência humana.

O percurso começa ainda na chegada ao evento. A fachada criada por José Luiz Favaro e Yuri Matsui Ramos utiliza muxarabis para estabelecer uma transição suave entre o parque e os ambientes internos da mostra. A estrutura permite a passagem da luz e cria um jogo de sombras que se mistura à vegetação local, estimulando uma experiência contemplativa desde os primeiros passos.

Na sequência, os visitantes são conduzidos por um jardim assinado por Ana Lui e Karen Marini, que antecede um dos espaços mais simbólicos da edição: a bilheteria criada por Viviane Teles. Vista de cima, a construção assume a forma de uma grande mandala, inspirada nos conceitos de bioarquitetura e inteligência orgânica.

A proposta dialoga diretamente com o tema central da mostra, concebido a partir de debates realizados no Sesc Pompeia e que contou com a participação da arquiteta Viviane Teles, da psicanalista Maria Homem e do líder indígena Carlos Papa. O conceito busca questionar a visão moderna da casa como mero instrumento de produtividade e eficiência, resgatando seu papel como espaço de acolhimento, identidade e pertencimento.

Natureza como protagonista

A relação entre arquitetura e meio ambiente está presente em todo o percurso da CASACOR São Paulo 2026. Um dos exemplos é o projeto desenvolvido pela paisagista Pam Faccin, que propõe uma reflexão sobre preservação e patrimônio ambiental.

O trabalho investiga o bioma original do território onde hoje está localizado o Parque da Água Branca, utilizando exclusivamente espécies da Mata Atlântica. A proposta valoriza a escuta do território e reforça o paisagismo como ferramenta de reconhecimento da identidade local.

Outro destaque é a praça criada por Maria Fernanda Marques Paisagismo diante dos edifícios históricos do parque. O espaço integra árvores centenárias, vegetação nativa e estruturas conhecidas como hotéis de insetos, destinadas ao abrigo de polinizadores e espécies importantes para o equilíbrio ambiental, como joaninhas e abelhas solitárias.

Toda a intervenção externa foi desenvolvida com foco na preservação ambiental. Os jardins foram implantados em vasos e o circuito utiliza piso elevado, evitando impactos diretos sobre o solo. A iluminação também recebeu atenção especial, adotando tecnologia que reduz interferências nos hábitos da fauna local.

Ambientes que traduzem o tema da edição

Ao longo dos dois principais edifícios da mostra, os profissionais participantes apresentam diferentes interpretações do conceito “Mente e Coração”.

No Prédio 23, o visitante encontra uma instalação assinada por Paulo Azevedo, concebida como uma cabana de memórias afetivas. O espaço funciona como uma introdução à proposta sensorial da edição.

Entre os destaques estão a Casa Magma Portinari, desenvolvida pela Suite; a casa com varanda criada por Dado e Guilherme Castello Branco para a Deca; o ambiente de Gabriel Fernandes para a Simonetto, inspirado na trajetória da arquiteta e designer Janete Costa; e a casa assinada por Nildo José para a Coral, que utiliza cores e texturas para apresentar tendências ligadas ao universo da marca.

A programação também reúne diferentes interpretações sobre novas formas de morar. O visitante encontra os estúdios criados por Felipe Saurin e pelo Studio Costa+Azevedo para o Mercado Livre, além do loft desenvolvido por Léo Shehtman, da Casa Jacob | Itaú Personnalité de Felipe Carolo e do projeto assinado por PN+ | Paula Neder, inspirado na atmosfera carioca.

Outro ambiente que chama atenção é a Casa Brastemp, criada por Marcelo Salum. O espaço aposta em uma estética vibrante, com predominância de tons vermelhos, iluminação neon e referências lúdicas que evocam elementos da cultura pop.

Nas áreas externas, o Refúgio Fleury, assinado pelo Estúdio Musgo por Denis Bessa, celebra o centenário do Grupo Fleury. Já a casa de vidro projetada por Felipe Rossi reforça o diálogo entre arquitetura e natureza ao integrar completamente os ambientes internos e externos.

Espaços para debate e conhecimento

O Prédio 22 concentra projetos voltados para inovação, convivência e troca de experiências.

Logo na entrada, os visitantes encontram a Arena do Conhecimento, desenvolvida pelo Senac-SP em parceria com o Estudio Guto Requena. O espaço será palco de palestras, debates e encontros sobre sustentabilidade, tecnologia e inovação na arquitetura.

A iniciativa reúne estudantes e profissionais em uma proposta colaborativa que busca ampliar o diálogo sobre os desafios e transformações do setor.

O edifício também abriga ambientes que discutem acessibilidade, inclusão e novas formas de habitação. Entre eles estão o estúdio universal criado por Letícia Nannetti Arquitetura, o restaurante Mesa Viva, assinado por Marta Martins Arquitetura, e o co-living desenvolvido pelo arquiteto boliviano Eduardo Baldelomar.

O tradicional mall da CASACOR também está presente nesta edição, reunindo lojas e espaços culturais, incluindo a loja Gustavo Eyewear, projetada pela HM Arquitetura, e o ambiente da loja do MASP, criado pelo Studio Garoa.

Arte como elemento de conexão

A arte ocupa posição central na narrativa da CASACOR São Paulo 2026.

Além das instalações distribuídas ao longo do percurso, a mostra ampliou seu programa de comissionamento artístico, acompanhando a produção de obras em diferentes regiões do país.

Nesta edição, foram convidados os artistas Charles Lessa, do Ceará; Jorge Souza, de Pernambuco; e Carol Ambrósio, de São Paulo. A iniciativa busca fortalecer o diálogo entre território, identidade cultural e criação contemporânea.

Outro destaque é a instalação assinada por Hugo Ribas, que reúne obras comissionadas da artista indígena manauara Auá Mendes, ampliando a presença de narrativas originárias dentro da mostra.

Sustentabilidade como compromisso permanente

A sustentabilidade segue como um dos pilares centrais da CASACOR São Paulo.

Segundo a organização, a exposição é atualmente a única mostra cultural do Brasil com operação lixo zero. Todo o resíduo gerado durante o evento é reaproveitado, reciclado ou destinado a iniciativas de impacto social, evitando o envio para aterros sanitários.

As medidas ambientais também incluem a preservação integral das árvores do Parque da Água Branca, que não sofreram qualquer intervenção durante a montagem do evento.

Além disso, todas as espécies vegetais utilizadas permanecem em vasos apoiados sobre o solo, garantindo sua retirada após o encerramento da mostra sem danos ao patrimônio ambiental.

A iluminação externa recebeu projeto específico do Estudio Carlos Fortes, utilizando temperatura de cor de 1.800 K em tonalidade amarelo-avermelhada. A escolha reduz impactos sobre os ciclos biológicos da fauna que habita o parque, especialmente espécies de hábitos noturnos.

Serviço

A CASACOR São Paulo 2026 acontece entre 2 de junho e 9 de agosto, no Parque da Água Branca, localizado na Rua Dona Ana Pimentel, 37, em São Paulo.

A visitação ocorre de terça-feira a domingo e também nos feriados, das 11h às 22h. O acesso ao parque é permitido até as 20h, enquanto a entrada na mostra ocorre até as 20h15.

Os ingressos podem ser adquiridos pelo site oficial da CASACOR, aplicativo oficial ou bilheteria presencial. Crianças de até 10 anos têm entrada gratuita mediante comprovação.

O evento também mantém iniciativas voltadas à acessibilidade, incluindo circulação adaptada, rampas e banheiros acessíveis, reforçando o compromisso com uma experiência inclusiva para diferentes públicos.

Com uma proposta que une arquitetura, arte, paisagismo e reflexão sobre os modos de viver contemporâneos, a CASACOR São Paulo 2026 transforma o Parque da Água Branca em um grande laboratório de experiências sensoriais, reafirmando o papel da casa não apenas como abrigo físico, mas como espaço de encontros, memórias e conexões humanas.

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