No próximo sábado, 28 de fevereiro de 2026, a partir das 11h, o projeto É NÓIS NA FITA realiza sua Mostra de Encerramento no CineSesc, na capital paulista. O evento gratuito exibirá 11 curtas-metragens produzidos por alunos de baixa renda de diferentes regiões da cidade e marca a transição do ciclo encerrado em dezembro de 2025 para uma nova etapa de atividades, com início previsto para março de 2026.
Com 12 anos de trajetória, mais de 2.500 alunos atendidos e 130 curtas realizados, o projeto se consolidou como uma das principais iniciativas de formação audiovisual gratuita para jovens da periferia de São Paulo. A mostra presencial contará com oito curtas de ficção, enquanto a versão online, disponível entre 28 de fevereiro e 10 de março, ampliará o acesso para todo o Brasil, reunindo as 11 produções, incluindo três documentários.

Formação que transforma realidades
Criado em 2014 e coordenado pela atriz, diretora e professora Eliana Fonseca, o É NÓIS NA FITA nasceu com a proposta de democratizar o acesso ao cinema e às ferramentas profissionais do audiovisual. Ao longo de sua trajetória, o projeto promoveu mais de 250 atividades, entre cursos, workshops, palestras e eventos de exibição.
Os cursos são gratuitos e realizados em diferentes bairros da capital paulista, atendendo jovens de todas as regiões. As aulas acontecem aos fins de semana, ao longo de três meses, período em que os participantes aprendem funções essenciais da linguagem cinematográfica, como roteiro, direção, produção, fotografia e montagem.
Ao final do processo formativo, cada turma realiza dois curtas-metragens, desenvolvidos integralmente pelos alunos, da ideia inicial ao produto final. O resultado é uma produção autoral que carrega as vivências, inquietações e perspectivas da juventude periférica.

Narrativas que refletem identidade e pertencimento
Os 11 curtas exibidos na Mostra de Encerramento transitam por diferentes gêneros, como comédia, suspense, drama e documentário. As histórias abordam temas ligados à identidade, pertencimento, sonhos, desigualdades sociais e conflitos contemporâneos.
Entre os destaques da mostra presencial está “Antes que se repita”, que acompanha Marcelo, um pai marcado pela rigidez com que foi criado e que se vê diante do sonho do filho de seguir carreira na moda. O curta discute choque de gerações, expectativas familiares e a busca por reconciliação.
Já “1s44k” apresenta um futuro distópico em que um androide deseja conhecer o mar, mas enfrenta as limitações impostas por sua própria programação. A narrativa mistura ficção científica e metáfora sobre liberdade e autonomia.
Em “Invisível”, o jovem Ryan, solitário e ignorado por todos, encontra no novo vizinho a primeira pessoa que parece enxergá-lo de verdade. A obra trata da solidão urbana e da necessidade de reconhecimento.
Outro destaque é “Meus sentimentos”, ambientado em um funeral onde mãe, esposa e filha disputam a memória do homem falecido, revelando tensões familiares e ressentimentos ocultos.
O drama também marca presença em “Delírios”, que retrata a convivência entre Rita e sua tia doente, explorando temas como cuidado, exaustão emocional e ciclos de violência.
Em “Juarez”, a narrativa distópica apresenta um mundo onde a arte é crime e o protagonista atua como traficante de poemas, questionando repressão cultural e liberdade de expressão.
A mostra ainda inclui “Mesmo que doa”, sobre um homem que revisita memórias do primeiro amor, e “Dissecando Selma”, um mocumentário metalinguístico que reflete sobre os bastidores da criação cinematográfica.

Documentários ampliam o olhar
A versão online da mostra inclui três documentários que expandem o debate social proposto pelo projeto.
“Nuff Respect: Conexão Zona Norte” acompanha uma crew independente que promove eventos no formato sound system na zona norte de São Paulo, utilizando a cultura reggae como forma de expressão e resistência comunitária.
“Entre Mães” mergulha nas experiências de duas mulheres que vivenciam a maternidade solo, explorando memórias, ausências e afetos.
Já “Silêncio no set” revela os bastidores da produção do primeiro documentário de um grupo de estudantes, desmistificando a ideia de perfeição no audiovisual e mostrando que a maior história, muitas vezes, acontece fora do enquadramento da câmera.

Acessibilidade como prioridade
A Mostra de Encerramento presencial contará com Legenda Descritiva (LSE) em todos os filmes exibidos e tradução em Libras ao vivo durante as falas da cerimônia. Na versão online, todos os curtas terão LSE, e cinco produções específicas disponibilizarão também recursos de Libras e audiodescrição.
A iniciativa reforça o compromisso do projeto com a inclusão e a ampliação do acesso cultural.
Patrocínios e parcerias fortalecem a iniciativa
Em 2025, o projeto contou novamente com o patrocínio máster do Bradesco, parceiro desde a primeira edição, e celebrou a chegada das Lojas Torra como nova patrocinadora.
Os recursos foram viabilizados por meio da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura do Governo Federal, e do ProAC ICMS, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. A edição de 2025 também foi contemplada com o edital PNAB Spcine, voltado ao fomento de iniciativas de formação audiovisual.
Entre as parcerias institucionais estão a Escola da Cidade, que concentra parte das atividades formativas, e a AvMakers, plataforma de ensino voltada à formação de filmmakers e fotógrafos.
Durante a mostra presencial, haverá sorteio de brindes oferecidos pelas Lojas Torra, que também colaborou com figurinos dos curtas, além de ingressos para eventos culturais patrocinados pelo Bradesco.
Serviço
Mostra de Encerramento – presencial
Data: 28 de fevereiro de 2026
Horário: das 11h às 13h
Local: CineSesc – Rua Augusta, 2075, Cerqueira César, São Paulo
Entrada gratuita, com retirada de ingresso a partir das 10h30
Mostra de Encerramento – online
Período: 28 de fevereiro a 10 de março de 2026
Início: 28 de fevereiro, às 11h
Acesso gratuito para todo o Brasil pelo site oficial do projeto
A programação completa está disponível em www.enoisnafita.com.br.
Ao celebrar mais de uma década de atuação, o É NÓIS NA FITA reafirma o poder do audiovisual como ferramenta de transformação social, dando voz a jovens que, muitas vezes, encontram na arte a primeira oportunidade concreta de contar suas próprias histórias.













